Talento para as artes
O talento de Cascaes foi descoberto na Semana Santa
de um ano qualquer da década de 20, quando a Praia de Itaguaçu ganhou
uma série de esculturas, retratando a Via Sacra. O respeitado professor
Cid da Rocha Amaral, diretor da Escola de Aprendizes e Artífices de
Santa Catarina, ficou encantado com o que viu e quis conhecer o autor da
proeza. Encontrou um adolescente tímido, que tivera uma rigorosa
educação religiosa.
Franklin beirava os 20 anos e nunca havia entrado em
uma sala de aula. Seu pai achava que estudar era algo delicado demais e
que o homem de verdade tinha que trabalhar na roça. Vencida a
resistência paterna, Franklin aproveitou o incentivo para recuperar o
atraso e iniciar seus estudos, até que em 1941 tornou-se professor da
antiga Escola Industrial de Florianópolis.
“Passei a empregar a arte que estudei. A nossa
oficina era cheia de artes. Foi tudo jogado fora, não sobrou nada para
contar a história. Na Segunda Guerra foi criada uma oficina para fazer
material bélico e a nossa oficina foi jogada no lixo. Quase morri de
paixão...”
Nos anos 1940, quando sua idade buscava
fervorosamente a novidade e a modernidade invejada por outras cidades,
Cascaes, ao contrário, como que pressentindo os novos tempos, correu –
na contramão da história, em busca do passado e da tradição secular que
começava a entrar no seu ocaso. No sentido contrário ao de seu tempo
retornou ao mundo rural, muitas vezes acompanhado de sua amada mulher,
Elizabeth.
Durante 40 anos, ele pesquisou diversos temas
envolvendo o homem do litoral catarinense e as comunidades pesqueiras da
Ilha de Santa Catarina, registrando tudo num trabalho quase
arqueológico. Resgatou os fragmentos de uma tradição que já vinha se
estilhaçando, com a chegada de um vento mais forte que o nosso vento
sul: o do progresso. De forma quase solitária, trabalhou incansavelmente
recolhendo as histórias, rabiscando a mitologia, desenhando as formas,
moldando as figuras, e mostrando domínio nas várias artes. Só não foi
condenado ao insucesso pela persistência teimosa e pelo sentimento de
que lidava com o seu próprio passado e com uma tradição que amava.
“Tive que deformar o Barroco porque foi a única
forma de dar graça àquela beleza rústica, a figura do colono açoriano.
Tive que recriar o Barroco para poder representar as pessoas do interior
da ilha. O homem está se destruindo. Ele pensa que é o senhor absoluto
da Terra. Não é! Sobre ele está a natureza comandando, ele é
exclusivamente um produto da natureza, como são as aves, como são os
outros animais”.
FRANKLIN CASCAES
Nasceu em 1908, em Itaguaçu, então município de São José, vindo a falecer em 1983 em Florianópolis. Apelidado de “Seu Francolino” , passou a infância e adolescência entre pescadores e agricultores com quem aprendeu a admirar a cultura açoriana. Além de centenas de desenhos, Cascaes deixou uma acervo de esculturas, maquetes e cadernos com anotações
Nasceu em 1908, em Itaguaçu, então município de São José, vindo a falecer em 1983 em Florianópolis. Apelidado de “Seu Francolino” , passou a infância e adolescência entre pescadores e agricultores com quem aprendeu a admirar a cultura açoriana. Além de centenas de desenhos, Cascaes deixou uma acervo de esculturas, maquetes e cadernos com anotações

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